Opinião
Banhados e enchentes de Criciúma
 
Data da publicação 02/02/2010 | Hora da publicação 13:27:45.

Banhados e enchentes de Criciúma

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Os primeiros colonizadores chegaram por aqui em 1880. Quarenta e cinco anos depois, em 1925, Criciúma se emancipou do município de Araranguá. Na época, Criciúma era um pouco mais que uma Vila. Somados os territórios de Içara, Nova Veneza, Forquilhinha e Criciúma - formavam o município novo - não eram mais de 10 a 12 mil habitantes. Entre os anos de 1925 e 1960, foram registradas inúmeras enchentes, de grandes proporções, em todas estas localidades.

O boom do desenvolvimento imobiliário, especificamente em Criciúma, na verdade se iniciou após a emancipação de Nova Veneza (1958) e Içara (1961), período que Criciúma apresentava menos de 50 mil habitantes. As enchentes estão longe de ser novidade em Araranguá e Forquilhinha. Apesar do rio Araranguá não ter sofrido degradação por interferência natural ou humana, as enchentes se repetirão a cada período, até que a barra seja corrigida e desobstruída. Irá apenas amenizar. Forquilhinha, por obra do destino, foi beneficiada com a construção da barragem no Rio São Bento, em Siderópolis. As enchentes no município são decorrentes do volume de chuvas no costão da serra e a barragem faz o controle da vazão. Hoje, as enchentes ainda acontecem, porém, com menor freqüência e intensidade, apesar de Forquilhinha ser um imenso vale, com pouquíssimas edificações e obstruções.

Criciúma tem o privilégio de não receber águas geradas e oriundas de outros municípios, o que seria um agravante. Afundamos nas próprias águas, isso por tanto, torna mais possível gerenciar as soluções. O grande volume de construções em Criciúma, bem como, os inúmeros asfaltamentos e lajotamentos das ruas, se iniciaram há menos de 50 anos. Tivemos enchentes antes, durante e depois. Por desinformação, interesse e/ou ganância, nestes últimos 50 anos, perdemos os nossos banhados, também conhecidos nas áreas urbanas como piscinões. Só para relembrar alguns exemplos:

01 - Terreno da CSN, defronte ao Criciúma Shopping, onde hoje está sendo iniciada a construção do Parque das Etnias,

02 - Bairro Comerciário, onde estão localizados o Estádio Heriberto Hülse, Colegião e diversos edifícios e residências, ali, existia uma bela lagoa e que foi totalmente aterrada,

03 - Rodoviária de Criciúma na Avenida Centenário, Colégio ESUCRI e os prédios ali existentes, estão construídos sobre um enorme banhado aterrado,

04 - Antes foi o aterro do aeroporto, depois foram a Avenida Santos Dumont e o Parque Centenário que foram construídos sobre um enorme charco/banhado existente ali no Bairro São Luís.

Os problemas nestes locais estão amenizados, foram recentemente construídos dois canais concretados: um que passa por debaixo e ao lado do Pavilhão José Ijair Conti, e outro que passa por toda extensão do Parque Centenário em linha transversal. Próximo à Rua Henrique Laje os dois canais subterrâneos se juntam e deságuam no rio Criciúma na Rua Araranguá.

05 - Em Rio Maina, o Bairro Francesa, era em passado não tão distante, uma grande "baixada" com uma "sanga" com águas fluentes. Primeiro foram os rejeitos de carvão, depois, aterro para plaina e imediata ocupação de centenas de residências e iniciativas empresariais. Estes são apenas cinco exemplos, de fácil memória e comprovação. O simples ato do aterro não assegura que estes locais serão áreas enxutas. De alguma forma, as vertentes continuam existindo e assim, o subsolo nestes locais, nos casos de chuvas intensas, absorve baixo volume de águas. Se não absorve, a água busca locais mais baixos através dos declives.

Sabe-se que geograficamente Criciúma é um vale e a água, pela inexistência dos "piscinões" naturais adjacentes, corre livremente, por declive, concentrando-se no centro. Agora, para tentar amenizar em parte as enchentes - que continuarão acontecendo aqui, no Estado, no Brasil e em todo planeta - será mais prudente e funcional, construir canais e caminhos para que as águas das chuvas não cheguem ao centro. É fato que hoje, importante parcela do volume da água que tem destino e "chega" ao centro, é proveniente do outro lado da cidade e usa a Avenida Centenário como rio ao céu aberto. Construir um segundo canal, paralelo e junto ao Rio Criciúma, é apenas possibilitar o aumento da velocidade da água que tem o centro como destino, com conseqüente aumento dos estragos e depredação do patrimônio publico e privado. E ainda, é transferir o local da "maior" enchente. Poderá sair do centro e estourar logo ali adiante, onde os canais paralelos se encontrarem e formarem uma via só.

As características do planejamento para gerenciamento das águas das chuvas, prudentemente, deveria ser o inverso do planejamento urbano para o transito rodoviário existente. Por ora, todas as vias "jogam" os veículos para o centro. Sair, é um quebra-cabeça. Para as águas oriundas do alto do Bairro Pio Corrêa, corte da Próspera, Bairro São Cristovão, Rua Alm. Saldanha da Gama, Avenida Centenário, e adjacências da Rodoviária, o destino programado, obrigatoriamente não poderá ser o novo canal subterrâneo no centro da cidade, ou, o próprio Rio Criciúma. Obrigado pela atenção e leitura destas observações.

Att. Willi Backes Naufrago da rua João Cechinel, Criciúma. willi@nossacasa-sc.com.br


Fonte: Willi Backes.
Comentários
João
É isso mesmo. Inclusive as construçoes no Centro de Criciúma deveriam sofrer algumas limitacoes quando da aprovação e licença junto a Prefeitura, com análise inclusive do Projeto Hidro-sanitário das edificações. Vão liberando paredões pra ver onde vamos parar....

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Se a eleição fosse hoje e os candidatos fossem esses quem você escolheria para prefeito de Criciúma?

Clésio Salvaro e Márcio Búrigo
Odelondes de Souza/?
Romanna Remor/José Paulo Serafim
Luiz Fernando Cardoso/José Paulo Serafim
Nenhum deles
Branco
Nulo

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