Data da publicação 24/02/2010 | Hora da publicação 11:14:56.

13º Encontro Nacional de Presbíteros - Parte 2

A coluna destaca hoje a parte final da carta do Encontro Nacional de Presbíteros. Encontro que aconteceu no período de 03 a 09 de fevereiro de 2010, em Itaici ? SP.

Carta do 13º Encontro Nacional de Presbíteros (2ª parte)

De maneira muito madura, os presbíteros vêm percebendo o quanto é atual a afirmação do Papa João Paulo II: "O ministério ordenado tem uma radical forma comunitária e pode apenas ser assumido como obra coletiva". (PDV 17). Neste sentido, o 13º ENP fortaleceu, em nós a convicção de voltar as Igrejas Particulares com a missão de dinamizar a pastoral de presbiteral. Vimos, com alegria, que ela cresce e se organiza, cada vez mais, por todo o território nacional, com belos exemplos de solidariedade, principalmente em relação aos presbíteros idosos, jovens e aqueles que assumem paróquias mais pobres e distantes. Essa pastoral vem se constituindo num instrumento valioso de comunhão presbiteral e predispondo os padres para um mais fecundo exercício do pastoreio. O padre bem integrado no presbitério enfrenta com audácia e alegria os desafios da missão, pois sabe que não está só. O Decreto Conciliar Presbiterorum Ordinis centra na caridade pastoral o ministério presbiteral, por isso, ela se configura a alma e a forma da pastoral presbiteral (cf. Dap 70). Essa caridade pastoral é o eixo para o agir do presbítero, que se torna, por meio dela, instrumento do espírito na historia e, a exemplo de Jesus, homem consagrado ao povo que lhe é confiado. É a caridade pastoral a maneira proposta pela igreja aos presbíteros para a sua missão de anunciadores do Reino.

O 13º ENP também foi marcado pelo espírito das palavras do Papa Bento XVI que nos convoca a um encontro pessoal com Cristo. Afirma o Santo Padre que ser cristão não se reduz a uma decisão ética ou adesão a uma grande idéia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá novo horizonte a vida e, com isso, uma orientação decisiva, e Aparecida nos lembra que a própria natureza do cristianismo consiste em reconhecer a presença de Jesus cristo e segui-lo (cf. DAp 243-244) . tudo isso ganha um sentido ainda mais contundente para nós que fomos chamados a viver o ser cristão de forma radical, como ministros ordenados.

Percebemos, com a ajuda do Pe. Estevão Raschietti, que ser missionário passa pelo insubstituível tempo de discípulo junto do Mestre, pois não anunciamos conceitos, mas uma Pessoa, que se fez Carne e habitou entre nós, com a qual precisamos nos encontrar ao longo de toda a nossa existência. Comunhão e missão se tornam, neste contexto, o binômio por excelência para a vida e ministério de todos os presbíteros, convidados a estarem sempre disponíveis para ir ao encontro de pessoas afastadas e comunidades distantes. Essa missão se faz desafiadora no seu contexto próprio ad gentes, nos difíceis ambientes das grandes metrópoles e em outras regiões. Mereceu grande destaque entre nós o desafio missionário na Amazônia, da qual muito se fala e pouco se conhece. Nesse sentido, foi feito um grande apelo para uma presença mais significativa dos presbíteros de outras regiões do pais junto ao povo Amazônida.

Tudo o que se ouviu foi rezado, meditado e contemplado nos vários momentos celebrativos e no retiro espiritual, orientado pelo Cardeal D. Odilo Pedro Scherer. Tempos de profunda vivencia do ministério da comunhão com Jesus Cristo e com toda a Igreja, sobretudo na eucaristia, onde a memória de nosso compromisso ministerial se fazia presente em cada prece e em cada canto, chamando-nos a viver decididamente como presbíteros animadores das comunidades de discípulos missionários,. Em outros momentos, tais como nas oficinas, plenários e trabalhos de grupo, os temas foram também debatidos.

Recebemos inúmeras mensagens de irmãos e irmãs que nos acompanharam por meio de orações e dentre elas destacamos a de Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito de São Pulo, de Dom Pedro Casaldáliga, Bispo emérito de São Félix do Araguaia, de Dom Alberto Taveira, Arcebispo eleito de Belém, do Departamento Vocações e Ministérios do CELAM e de Dom Cláudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero. Dom Cláudio, em sua mensagem, nos lembrou repetidas vezes de que os presbíteros devem ser homens de oração e o fez com veemência, afirmando: ?Não nos iludamos: se fala a oração pessoal na vida do presbítero, sua ação pastoral será estéril e correrá o risco de perder de vista o "primeiro amor", ao qual entregou incondicionalmente sua vida, naquele dia memorável e cheio de generosidade, o dia da sua ordenação sacerdotal.

Caro irmão, para reforçar nossa alegria no seguimento de Jesus Cristo, nos fizemos romeiros e, reunidos na Eucaristia, entusiasticamente presidida por Dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da CNBB, no Santuário Nacional de Aparecida, pusemo-nos sob o manto de Nossa Mãe para nos comprometermos com seu Filho, construindo um novo ethos, com base sólidas na profecia e gratuidade, sabendo que a fé cristológica traz implícita a opção preferencial pelos pobres , com tão bem nos lembrou o Papa Bento XVI. Da celebração do 13º ENP saímos mais convictos de que a nossa configuração a Cristo, Bom Pastor, permite-nos somar a nossa vida a d?ele e dizer: "Eu me consagro por eles".

Autor: Padre Samiro Meurer.

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